O que são estilos de aprendizagem (e o que eles não são)
Estilo de aprendizagem é preferência, não rótulo. Entenda o modelo de Felder e Silverman e os mal-entendidos que a pesquisa já derrubou.
Por Priscila Gaspar · · 4 min de leitura
Toda professora já viveu isto: a aula preparada com carinho funciona maravilhosamente numa turma e “morre” na turma do lado. Mesma matéria, mesmo material, mesma professora. O que muda? As pessoas que estão sentadas na nossa frente.
Uma definição simples
Estilo de aprendizagem é o jeito preferido de uma pessoa receber e processar informações. Não é o único jeito pelo qual ela aprende, e sim aquele em que ela se sente mais à vontade.
Existem vários modelos. Neste site usamos o de Felder e Silverman (1988), criado para a sala de aula, que olha para quatro dimensões:
- Processamento: ativo (aprende fazendo e discutindo) ou reflexivo (aprende pensando antes de agir);
- Percepção: sensitivo (fatos, dados, exemplos concretos) ou intuitivo (conceitos, teorias, relações);
- Entrada: visual (figuras, esquemas, vídeos) ou verbal (explicações escritas e faladas);
- Entendimento: sequencial (passo a passo) ou global (precisa ver o todo primeiro).
O que os estilos NÃO são
Não são rótulo
Ninguém “é” visual como é alto ou baixo. O resultado do teste mostra uma preferência naquele momento, e ela pode ser leve, moderada ou forte.
Não são destino
Quem tem preferência forte por um estilo pode, e deve, desenvolver o outro lado. A vida, o ENEM e o trabalho vão exigir os dois.
Não são desculpa
“Não aprendi porque sou visual e o professor só falou” não resolve nada. Conhecer o próprio estilo serve para buscar estratégias, não para desistir.
Não servem para separar alunos
A pesquisa não sustenta a ideia de montar turmas por estilo ou de ensinar cada aluno só do jeito dele. O que ela sustenta é a variedade: quando a aula oferece mais de uma porta de entrada para o mesmo conteúdo, mais alunos conseguem entrar.
Conhecer sua preferência não significa limitar sua aprendizagem a um único estilo. Pelo contrário: permite explorar diferentes abordagens e desenvolver habilidades em outros estilos.
Então, para que serve?
Para o aluno, serve para conhecer o próprio jeito de aprender e montar uma rotina de estudo que funcione. Para o professor, serve para perceber que, sem querer, tendemos a ensinar do jeito que aprendemos, e que há alunos que a nossa aula corre o risco de esquecer.
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